O Grande Porto: Autárquicas 2009

“NÃO ESTOU NA POLÍTICA PARA COMBATES FÁCEIS”

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Com “tranquilidade, coragem e determinação” Isabel Santos encara como “estimulante” o desafio de ser candidata do PS à presidência da Câmara de Gondomar. E adianta, nesta entrevista ao “Acção Socialista” que vai elaborar um programa “credível e alternativo”, na base de um novo contrato social com a população, que promova a qualificação e o desenvolvimento do concelho, de forma a romper com o estado de “letargia” em que este se encontra mergulhado devido a uma gestão ruinosa e populista.

A Comissão Política Concelhia de Gondomar confirmou-a como cabeça-de-lista à Câmara nas próximas eleições autárquicas, com 50 votos a favor, dois contra e um nulo. Como encara esta prova de confiança e o desafio que tem pela frente?

A forma como decorreu todo o processo da minha indicação e o resultado da votação na Comissão Política constituem uma prova de confiança que muito me honra e vem reforçar a minha responsabilidade face ao capital de esperança depositado pelos órgãos e pelos militantes na minha candidatura.

Devo dizer que abraço este desafio como um dos maiores senão mesmo o maior desafio da minha vida e enfrento-o com a tranquilidade, a coragem e a determinação de quem tem a consciência de que este não é um combate fácil, mas que por isso mesmo se torna particularmente estimulante.

A nobreza de lutar pela terra onde nasci e sempre vivi dá-me o ânimo necessário para vencer as dificuldades.

De que forma é que vai implementar “o amplo envolvimento de todos” que preconiza na formulação de um novo contrato social que quer apresentar à população de Gondomar?

Vou abrir um processo de envolvimento de diversas figuras no debate de ideias, promovendo acções que chamem os cidadãos a participar nesse debate e a darem contributos.

Para além disso, o “site” da minha candidatura na Internet disporá de uma caixa onde as pessoas poderão deixar as suas sugestões.

Quero que cada homem e cada mulher de Gondomar sejam parte activa na construção do projecto de mudança que o Partido Socialista apresentará a sufrágio nas próximas eleições autárquicas.

Afirmou que encara este novo desafio com a tranquilidade, a coragem e a determinação de quem tem a consciência de que este “não é um combate fácil, mas que se torna particularmente estimulante”. Porquê?

A política do betão e de crescimento desordenado e incaracterístico de Gondomar, fragilizando a sua identidade originária sem permitir que se sedimente uma nova identidade, constituem fortes aliados para a acção populista do actual presidente da Câmara, tornando esta uma das mais difíceis batalhas eleitorais a nível regional e nacional.

Mas, como costumo dizer, não estou na política para combates fáceis e as situações difíceis são, de facto, as mais estimulantes porque exigem um maior esforço de construção e são nelas que se reforçam o carácter e a qualidade do trabalho de um verdadeiro político.

Como pensa, como diz, devolver o orgulho identitário e a esperança aos gondomarenses e colocar de novo o concelho no mapa do desenvolvimento?

O alcance desses objectivos passa forçosamente por um processo de requalificação da vida política no concelho e de ruptura com o estado de letargia em que o concelho se tem visto mergulhado, mercê da falta de uma estratégia e de uma visão de futuro, fazendo de Gondomar sinónimo de qualidade de vida e de desenvolvimento económico e social.

Viver na margem do Douro não é viver à margem do mundo. Gondomar, por força da sua localização geográfica e da tradição empreendedora do seu tecido económico e social, tem características que se impõe promover e potenciar.

Não podemos perder de vista que fazemos parte do contínuo urbano que integra o Porto, Gaia, Maia e Valongo com o qual temos de desenvolver uma relação activa de complementaridade e competitividade.

Gondomar é um parceiro importante no mapa político da área metropolitana. Tem que se assumir também nesse papel e rejeitar a secundarização a que tem sido votado pela gestão da direita na área metropolitana do Porto.

Não há um qualquer tipo de fatalidade que nos possa condenar a este estado de ser permanentemente notícia pela negativa, é necessário elevar a auto-estima colectiva e reconstruir uma identidade e restituir aos cidadãos o orgulho de serem gondomarenses.

Quais as linhas-força em que pretende alicerçar o seu programa para retirar Gondomar da cauda da área metropolitana do Porto?

As grandes linhas de força passarão forçosamente pela aposta na qualificação das pessoas, na promoção do emprego e de uma nova geração de políticas sociais, pelo desenvolvimento efectivo de uma política de ambiente e de criação de espaços verdes, pela implementação de uma estratégia de captação de investimento social e ambientalmente responsável e de apoio às artes tradicionais, pela afirmação do potencial turístico da frente ribeirinha, por uma política de urbanismo com dimensão humana.

Como pensa romper com “o ciclo estafado, marcado pela ausência de projecto e de visão de futuro” que tem marcado a gestão de Valentim Loureiro e que na sua opinião tem condenado o concelho “à mais profunda estagnação”?

Pela apresentação de um programa político e de políticas alternativo credível e criativo que sirva à qualificação e credibilização do concelho.

E como tenciona desmascarar a gestão populista em que tem assentado a gestão do major?

Apresentando, em devido tempo, os resultados ruinosos dessa mesma política e contrapondo-lhe um projecto alternativo e uma forma bem diferente de estar na política. Os gondomarenses saberão certamente ajuizar.

Perfil

Natural de Gondomar, onde nasceu em 1968, Isabel Santos é licenciada em Relações e Cooperação Internacionais e pós-graduada em Sociologia e em Gestão Pública.

Exerce as funções de deputada à Assembleia da República desde 2005, tendo integrado, antes da Reforma da Assembleia da República, a Comissão de Trabalho e Segurança Social e a Subcomissão para a Igualdade. Após a Reforma, passou a integrar as Comissões de Trabalho, Segurança e Administração Pública e de Economia e Desenvolvimento Regional, respectivamente, na qualidade de efectiva e suplente. Desempenhou ainda as funções de vice-secretária da mesa da Assembleia da República. Isabel Santos integra ainda o Secretariado da Federação Distrital do PS/Porto e a Comissão Nacional do PS. A candidata do PS a Gondomar conhece bem os cantos à casa visto que foi aí que iniciou a sua actividade profissional como técnica superior. Posteriormente, foi adjunta do presidente da Câmara de Municipal de Matosinhos e directora de Recursos Humanos nesta autarquia.

in “Acção Socialista” de 13.01.2009

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