Vale bem a pena ler o Jorge Nascimento Rodrigues à conversa com Paul Starobin, sobre o seu último livro: After America, respeitante ao fim do século americano. Na minha perspectiva, particularmente interessante é a possibilidade levantada por Starobin de a hegemonia americana não dar origem a um mundo bi-polar (EUA, China), nem a um mundo multipolar, baseados em Estados-Nação, mas antes a um mundo dominado por agrupamentos de mega-regiões urbanas.
Diz Starobin, “I became impressed by just such a possibility and added a chapter to the book suggesting how this path might develop. It is really quite intriguing-a new division of the world, not into a multipolar order of nation-states but into a grouping of urban mega-regions.” Richard Florida, economista e sociólogo norte americano, tem andado há algum tempo na senda desta ideia. Diz ele que o valor económico da Mega Região Urbana mais rica da Europa não é fácil de calcular. O valor destes mega arquipélagos urbanos está escondido porque as ilhas está escondido porque as ilhas estão fragmentadas entre diferentes países. Mas quando se tem isso em conta chega-se à conclusão que a mega região urbana mais rica de Europa não é nem a Grande Paris nem a Grande Londres. Antes o arquipélago urbano de Amsterdão-Antuérpia-Bruxelas-Colónia-Lille. 60 milhões de habitantes e uma riqueza superior à da Itália ou do Canadá. O Rui Tavares referenciou esse estudo numa crónica do Público de Julho de 2008.
Verdadeiramente interessante, sobretudo a uma semana das eleições autárquicas é notar que para Florida, o segundo mais rico arquipélago urbano é o que vai de Lisboa à Coruña, passando pelo Porto. E o terceiro é a região de Madrid. Existe uma óbvia sobreposição entre esta análise e as modalidades de conexão que se podem ensaiar. Em concreto, uma óbvia vantagem nas conexões por TGV nestas três linhas. A curiosidade que me sobra de há muito, é que pensamento têm os candidatos autárquicos do PSD a Lisboa, ao Porto e a Coimbra a este respeito. Compreenderão porventura a relevância das conexões de alta velocidade (AV) que o partido quis combater nas legislativas? Rui Rio tem uma visão contabilística do mundo. Como Manuela Ferreira Leite. Inserem-se na ala cavaquista do partido, em morte acelerada. Não fomentou as indústrias culturais e criativas no Porto. O resultado é a sua não compreensão da potencial da ligação de TGV, em particular em função de aspectos como Serralves e a casa da música. Florida, um dos mais proeminentes economistas deste tempo, bem podia vir explicar a Rio o potencial das cidades criativas. O desvio de tráfego para o aeroporto Sá Carneiro é relevante. A ligação a Madrid via Lisboa é relevante. Mas o TGV é relevante para o Porto em si mesmo. Se existisse uma estratégia de valorização cultural da cidade. Rio não tem uma visão da Europa das Mega Regiões Urbanas. Alguém acha que Elisa Ferreira não compreende essa interconectividade e o papel que a Alta Velocidade aí desempenha?
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